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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Nos indecisos está o futuro -Parte 2

Tema:
Em todas as Democracias, é normal a existência de numerosos cidadãos indecisos em quem votar e resistindo até ao último momento. Os "democratas assumidos" avaliam-nos como um mal necessário no funcionamento democrático, porém esta posição cria uma distracção que esconde o fundamental, isto é, eles não são doentes, são saudáveis a lutar contra doenças.

Os cidadãos indecisos são apenas cidadãos inteligentes, irredutíveis, que não desistem de votar com lucidez no seu voto. Por outras palavras, recusam-se a aceitar que tudo está bem e que o problema é deles quando, na verdade, sentem que está mal e é a votação que tem problemas. 
Assim, o seu elevado número nas Democracias expressa a presença de anticorpos saudáveis a reagir a virus endémicos (bugs) em situações bem definidas, as eleições.

Índice
Parte 1 (post anterior)
√ - Introdução
√ - A neutralidade
√ - Os votantes
√ - O bug "só votas SIM"

Parte 2 (post actual)
√ - O bugzinho dentro do bug
√ - A derrota do bug
   - Q&AM
√ - Conclusão


O bugzinho dentro do bug

O bug "só votas SIM", atrás descrito (post 10), contem um outro bugzinho sob a forma do dilema das "Falsas Escolhas".

Como se viu, a essência do bug "só votas SIM" é que, para dizer NÃO a uma alternativa, só é possível fazê-lo se se disser SIM a outra alternativa mas, quando existe uma que é desejável, este bug apesar de existir é inócuo.
Se não existem desejáveis, então o bug deixa de ser inócuo pois ter-se-á sempre que votar numa que também é indesejável. Neste caso, o dilema das "falsas escolhas" é activado.

In brevis, as "falsas escolhas"é o dilema em que não há escolha possível pois tem sempre que se escolher o que não se quer. Como ilustração, a história do Casamento Democrático:


Numa comunidade, quando uma jovem faz 20 anos a família lista os seus pretendentes e vota o futuro marido. É tudo muito democrático pois o noivo é votado pelas mulheres de toda a família, incluindo noiva, avós, mãe, irmãs, tias, primas próximas e afastadas. 

O sistema é simples, vota-se e o mais votado casa. Se as mulheres da família não sabem quem escolher votam em branco mas, se preenchem mal o voto, este é anulado. É possível votar contra qualquer pretendente indesejável e a abstenção é mal vista pois demonstra falta de consideração para com a noiva e família.
Boletim de voto
Ultimamente, a situação começou a complicar-se porque, perante certas listas de candidatos, as votantes recusavam-se a votar pois teriam sempre que escolher um e nenhum prestava.
Este conflito sempre existiu, mas essas perturbações ficavam enevoadas com a discussão sobre o valor dos candidatos e com a inabilidade das votantes. Por outras palavras, discutia-se um sintoma (a escolha a fazer) mas não se discutia a sua causa (o método de escolha).

Na última votação, o escândalo explodiu. O problema foi que, das 20 mulheres da família, entre brancos, nulos e abstenções, o total das que não votaram foi 17. Houve 3 votos e, destes, um candidato obteve 2 conseguindo 66% dos votos pelo que, democraticamente, exigiu casar com a jovem.

O conflito agudizou-se porque, apesar de ser verdade, as eleitoras diziam que ele tinha 90% de não-apoios versus 10% de apoios, o que também era verdade. Criou-se um impasse, pois a discrepância era grande entre 66% de votos corresponderem apenas a 2 votos em 20 eleitores.

Até então, a comunidade costumava, discretamente, considerar essas situações como desacordos pontuais desprezáveis e a "esquecer". Desta vez, o impasse não foi "esquecido" e o principal ponto de atrito centrou-se no conceito de absentista.
Para uns, era alguém ausente que não estava interessado em escolher, para outros, era alguém que, interessado em escolher, não ia votar pois teria sempre que escolher contra a sua opinião. Esta posição defendia que não eram absentistas ausentes mas sim escapistas, presentes na recusa de não poder dizer NÃO a todos.

Absentista ou Escapista
de ter que votar o que não quer ?

Ainda apareceu o argumento que "...quem não gostasse de nenhum candidato que apresentasse outro". Porém foi refutado dizendo que a função do votante era votar não era construir listas de candidatos.

Das conversas entre todos, a conclusão geral foi que, realmente, não se poderia votar em consciência se houvesse obrigação de votar num indesejável. Neste caso, o escapista seria o eleitor que não queria fazer voto fraudulento pois sabia votar, sabia o que queria e não podia demonstrá-lo.

Com este consenso o diagnóstico foi fácil, o problema estava no Boletim de Voto e não nos candidatos, nem nos eleitores. A solução também foi fácil, era só acrescentar a alternativa "nenhum deles" no Boletim de Voto:
Boletim de voto com solução ao dilema
O bugzinho do Dilema das Falsas Escolhas foi descoberto e anulado, os votantes puderam passar a poder votar de acordo com a sua consciência.

Porém, esta mudança trouxe outros problemas, pelo que soluções foram procuradas. Por exemplo, para impedir círculos viciosos foi criada a regra de que, se o total de votos SIM fosse inferior a 50%, seria necessário fazer nova votação. Foi ainda acrescentado que, para evitar obter o mesmo resultado, os candidatos anteriores não poderiam tornar a ser candidatos na repetição pois, logicamente, se fossem elegíveis já o teriam sido na primeira vez.

Tudo acabou bem, o Casamento Democrático entrou numa nova era. O futuro tinha nascido a partir de eleitoras indecisas que não abdicaram de lutar pelo fim do voto armadilhado. Afinal, elas não eram eleitoras débeis mentais, mas sim eleitoras lúcidas mentais e irredutíveis acerca da existência de um bug  a solucionar.

___ FIM___

Regressando ao actual sistema democrático e aplicando a mensagem da metáfora descrita pode imaginar-se que, "por milagre", se fariam três modificações:

1º -  o bug "falsas escolhas" era retirado do boletim de voto por incluir a escolha "nenhum destes";
2º - era definido um limite legal mínimo para a total percentagem de SIM (50%?) inferior à qual a eleição era invalidada e repetida,
3º - nenhum candidato da eleição invalidada poderia ser candidato na sua repetição.

Com estas novas regras eleitorais o equilíbrio partidos, candidatos e eleitores alterar-se-ia. Acções políticas, estratégias e campanhas teriam que substituir a primazia da "luta por ganhar" pela prioridade de "todos não-perderem".
Na verdade, esta pequena diferença era crucial pois transformava os eleitores no factor decisivo das eleições com a sua capacidade de poder de vetar todos os candidatos. Até então, com o método anterior, numa lista de maus, um mau é sempre eleito mesmo com poucos votos, o que é um contrasenso democrático.

De salientar que, numa assembleia a votar propostas, a votação uma por uma evita este bug porque cada votação contem SIM e NÃO pelo que, no final, todas podem ser recusadas. Numa votação por listas, a alternativa "recusar todos" tem que estar incluída ou então o bug aparece.

Esta pequena alteração não é pontual é sistémica.
Por exemplo, se esta ficção fosse aplicada às Eleições Legislativas 2011 com os seus 55,7% de votos SIM em partidos (vide post anterior), o risco corrido para todos perderem e ficarem inelegíveis na repetição seria de 5,7% de votos a emigrar de pequenos e grandes partidos para absentistas, brancos ou nulos.
Como é óbvio esta possibilidade teria alta probabilidade de poder acontecer pelo que, mesmo sem ter sucedido, existiria um sério aviso para o cuidado a ter nas eleições de 2015. O fantasma do veto geral,  com a consequente inelegibilidade, seria uma Espada de Dâmocles sobre os candidatos da qual, actualmente, estão imunes. As relações sociedade civil versus sociedade politica adquiriria um novo perfil.

O argumento dos custos, riscos e benefícios envolvidos numa mudança deste genero são reais mas, quaisquer que sejam, nunca têm valor absoluto. São sempre valores relativos entre os de continuar como está e os de mudar. Na prática, as questões básicas a responder seriam as clássicas em gestão da mudança:

- Há, ou não, um problema a resolver? - se sim, então,
- Quais as vantagens e desvantagens do antes e depois da mudança? e ainda,
- Deixa-se ficar como está, altera-se ou há outra alternativa?


A derrota do bug

Porém, com ou sem resolver o dilema do boletim de voto, há outras alternativas para não se ficar emaranhado no bug "só pode dizer SIM". Porém, se os candidatos forem todos inaceitáveis ter-se-á primeiro que resolver o dilema das falsas escolhas pois, como disse o sábio ao rei, [...se toda a comida está envenenada não há escolha, a decisão é dieta].

Pelo contrário, se existirem candidatos aceitáveis (ver movieclip no final), o processo é simples, basta obter informação válida para poder votar de acordo com a consciência. O ponto crítico da indecisão é a falta de informação para decidir, portanto, a solução óbvia é providenciar informação adequada, in tempore. 

A solução disponível no século XXI, à semelhança da dinamização informativa da VOTF (USA), é a criação de uma rede social


que, sem estruturas de controlo nem lideranças, alimente, clarifique e pressione a existência de informação actualizada sobre compromissos, promessas e decisões da gestão da Res Publica (República). Na prática é a sociedade civil a manter-se informada e atenta ao que a sociedade política, por si eleita, faz ou vai fazer.

As redes sociais criam uma dinâmica diferente da comunicação de massas com o seu modelo "um-a-muitos". Este modelo tem diversos formatos, tais como, jornais, rádio TV, brochuras, cartazes, folhetos, etc. Entre, os mais vulgares estão as NOTÍCIAS, com a técnica do "gargalo de garrafa" (bottleneck effect) para filtragem da informação difundida:



Saliente-se que os comentários online nas notícias não alteram o bottleneck, pois também eles são controlados e representam apenas uma pequeníssima permilagem (uma dezena??) de opiniões enviadas/lidas em relação às milhares difundidas.


Se se analisar o processo "notícias", encontra-se duas entidades em acção, o pólo massmedia, emissor activo, que difunde "um a muitos" e o pólo leitor, receptor passivo, que acolhe a notícia sendo "um entre muitos". Este processo funciona como controlo centralizado sobre a informação recebida por MUITOS. 

No século XXI, este controlo perde hegemonia ao ser contrabalançado pelas redes sociais. Nestas, a grande diferença é que cada receptor passivo é também emissor activo, ou seja, tudo passa a ser conversa de "muitos-a-muitos".

Em resumo, nas redes sociais o controlo informativo desaparece pois todos decidem "sim ou não" às emissões. A validade dos conteúdos já não é por existir crédito no emissor "oficial", mas sim por serem aprovados pela capacidade crítica de quem recebe. A comunicação deixa de ser um circuito de "gentinha a ouvir celebridades" (riffraff hearing VIP's) para ser um fluir de significados entre "pessoas a falar com pessoas" (persons talking to persons).

Esta diferença comunicativa tem grande importância pois o poder de mobilizar deixa de depender de lideres, estruturas e recursos e só depende da capacidade de cada receptor criar significados e ser emissor. Esta capacidade depende directamente da quantidade e qualidade da conexão com amigos, conhecidos e outras redes sociais e da facilidade com que um click pode abrir a emissão, liberto de fronteiras, horários, burocracias, hierarquias, etc.

Este funcionamento ultrapassa os "bottlenecks das notícias" e recria a tradicional conversa do "largo da aldeia" mas, agora, uma aldeia a nível planetário onde todos falam com todos.

Redes sociais fora do massmedia
na Aldeia Global em Portugal
A par de redes sociais para a obtenção de informação, existem outras formatos, um das quais é o formato Q&AM  - Question Answer Meeting

Q&AM - Question Answer Meeting

Este formato baseia-se num grupo questionante que prepara uma lista de perguntas concretas para esclarecer dúvidas e a serem respondidas em sessões faca-a-face com palestrantes. A sua utilização vai desde o ensino (Peer System) até à maturação colaborativa, passando por esclarecimento político.

Ao contrário de conferências e comícios nos quais o orador diz o que quer, como quer e quando quer, no Q&AM o orador diz o que os ouvintes querem saber. É uma espécie de QA, na perspectiva da Quality Assurance e Quest-Answer.
Durante o questionamento, em função das respostas, novas perguntas podem surgir que, escritas pelos participantes, são projectadas e ficam em standby como referência para futuras respostas e/ou futuras perguntas.

No caso de esclarecimento político, o objectivo do Q&AM não é possibilitar "missionação política" aos candidatos, mas sim criar condições para os eleitores esclarecerem dúvidas existentes e validar credibilidade e compromisso do candidato.  Numa palavra, é dar informação aos eleitores para eliminar indecisões.

Como é óbvio, objectivos diferentes obrigam a organizações diferentes. Como exemplo, dois formatos distintos aplicados à mesma sessão de 90 minutos com 100 participantes e 1 candidato.

A - Missionação política

1 - Na hora marcada os participantes entram na sala para assistir à palestra.
2 - O candidato fala durante 60 minutos com o discurso preparado e os eleitores assistem.
3 - No últimos 30 minutos, os eleitores colocam perguntas e o candidato responde.

Considerando que cada conjunto pergunta-resposta leva 5 minutos (2m pergunta + 3m resposta), os 30 minutos de dúvidas apenas permitem a 6 eleitores (6x5m=30m) participarem, pelo que 94% continuam apenas ouvintes.
Se se fizer blocos de perguntas para o candidato responder, poupar-se-á algum tempo nas respostas (1m a 1,5m em cada) mas elas perderão focagem e aumentará a generalidade. Por outro lado, só haverá uma poupança de 6 a 9 minutos, permitindo apenas mais 1 a 2 questões, pelo que passa de 6 para 8%.

Como se deduz, neste modelo a participação não é significativa com os seus 92 a 94% de ouvintes calados,

Em resumo, o núcleo duro do formato são 60 minutos de palestra com uma participação activa de 6 a 8% dos ouvintes esclarecendo as suas dúvidas. Normalmente, este debate é uma troca de "fait divers" técnico-afectivos, uns positivos na confirmação e outros negativos na contestação.

B - Esclarecimento Q&AM

1 - Antes da hora marcada, o grupo de participantes tem uma sessão prévia para preparação. Em média, são precisas 2 horas para 100 pessoas.
Nessa preparação, 100% dos participantes colocarão todas as dúvidas que pretendem esclarecer. Essa listagem de dúvidas será "clustered" (no calão técnico "clusterizada", isto é, agrupadas, integradas, relacionadas, sintetizadas) e formalizadas 12 perguntas (12x5m=60m) concretas a serem respondidas pelo candidato na 1ª parte da sessão.
A lista final será validada por todo o grupo e será reformulada caso alguém concluir que uma dúvida apresentada não está expressa.

Para aumentar a eficiência e eficácia, a preparação poderá utilizar metodologias de metaplan, cafe, buzzgroup, virose, etc, possibilitando um questionamento mais lúcido, profundo e concreto sobre a informação pretendida e ainda definir critérios para avaliar a qualidade das respostas obtidas. 

2 - Nos primeiros 60 minutos são apresentadas as perguntas preparadas com origem nas dúvidas de 100% dos participantes e ouvidas as respostas do candidato. Durante este período, eventuais novas dúvidas surgidas poderão ser comunicadas (escrito ou oral) à organização do Q&AM.

3 - Nos 30 minutos finais, as dúvidas surgidas na fase anterior serão apresentadas, eventualmente complementadas com questionamento directo.

Em resumo, o núcleo duro deste formato são 90 minutos para informação respeitante às dúvidas existentes. A 1ª parte reporta-se à questões obtidas previamente com 100% de participação e na 2ª parte aos aspectos conspícuos obtidos "in loco" por 100% do grupo.

O Q&AM, apesar de poder ser difundido pela internet, é diferente do modelo debate TV onde a conversa (programada ou espontânea) é entre poucos para ser difundida para muitos.

No debate TV em directo ou diferido, o verdadeiro interlocutor não é o "interlocutor" TV, pois todos falam para os telespectadores que não interferem, apenas ouvem, calados com a participação possivel  de 0%.
Os telefonemas online, filtrados ou não, são apenas "show" pois representam 0,000000??% em milhares de telespectadores, isto é, são entretenimento não são intervenção.
O interlocutor presente na sala, qualquer que seja a sua intervenção, apenas serve como "tabela", um mero pretexto, para outro aproveitar e difundir os "falares" desejados para os ouvintes telespectadores. Muitas vezes, qualquer relação entre o que um diz e o outro responde é pura coincidência.

Como diz a "teoria", no debate TV, o importante não é o que acontece lá mas sim a sua consequência na percepção dos telespectadores, ou seja, a regra é "Perder no debate e ganhar na audiência é óptimo, o contrário é péssimo".
No debate Q&AM a regra é diferente, ela diz que "Perder no debate é perder tudo" pois a audiência presente é o único interlocutor e as consequências só existem nela. Os participantes convencem-se ou não, entregam o seu voto ou não, tudo começa e acaba aqui.

Como exemplo de um Q&AM simplificado, apresenta-se um movieclip (4m) do filme Swing vote, 2008, com Kevin Costner. Neste caso, apesar de haver audiência, ela não "existe", pois a única consequência existente é o único interlocutor dos candidatos decidir em quem vai votar.

Tema:
Na eleição do Presidente USA, os dois candidatos ficam empatados. Descobre-se que, numa aldeola do Novo México, por falha de energia, o eleitor ficou registado mas o seu voto não ficou. Por lei, neste caso, o cidadão pode repetir o voto no prazo de 10 dias. Entretanto devido ao empate existente, este único voto decidirá o Presidente eleito.

O cidadão cujo voto sofreu falha de energia (Kevin Costner) é um desempregado, semi alcoólico, politicamente analfabeto, abúlico, crédulo que só vive o "momento presente". Durante 10 dias é "perseguido" pelo massmédia e pelo marketing dos candidatos que o tentam "caçar" para o seu lado.
O seu Alter Ego é a filha de 10 anos, politicamente activa, que o protege, "chateia" e defende das manipulações e responsabilidade em que foi mergulhado.

Por fim, decide que tem que votar e precisa de informação. Entretanto, como recebeu milhares de cartas com pedidos e informações que não leu, angustiado, começa a lê-las e acaba por pedir um Q&AM com os dois candidatos onde estes responderão às suas perguntas, para ele poder escolher um deles.

Preparando perguntas, perguntando, decidindo o voto


Conclusão

Os indecisos são uma classe lógica. Eles são os excluídos da informação política apesar de serem a sua força "laboral", no geral produzem a votação que dará a escolha final. Esta "responsabilidade" é clara nos títulos das notícias:


Sociologicamente, os indecisos não são um grupo. Na metáfora do "Casamento Democrático", foi o escândalo de obter 66% de apoio com 2 votos que provocou o detonador ("trigger") da transformação da classe lógica "eleitoras indecisas" em grupo decidido a alterar a situação.

Simplesmente, o facto de nas Democracias os milhares ou milhões de indecisos existentes não serem grupo, não invalida a projecção de que o "futuro está nos indecisos".
A semente está lá, só falta germinar na comunidade. Se o trigger (detonador, gatilho) aparecer, o tipping point (ponto de inflexão, viragem, contacto) unirá redes e a classe lógica com milhões de indecisos fará a metamorfose para grupo:


Continuação...

... a Democracia vive fora do real e dentro do mundo virtual das imagens difundidas. Assim, surge o 11º post, "Pregoeiros no poder ".

............................

Indice do Blog
(com links para os posts já publicados)

No princípio era o caos
A viragem da civilização 
Fugindo da estupidez organizacional
A evolução aos "éssses 

Temporada 2 - Soluções?
Não guiar pelo espelho retrovisor

Morreu o consensus, viva o dissensus

A técnica do Jazz e o dissensus
E assim, co-labora ou morre

E por fim, a democracia da cumplicidade 
Aqui no futuro?

O 1º sonho

Video resumo: Nova Democracia

terça-feira, 14 de julho de 2015

...e a sociedade? Ainda é rentável?


Enquadramento

Um indivíduo isolado não faz democracia. A Democracia exige indivíduos com conexões entre si no formato "todos a todos", isto é, que constituam um grupo. O aumento de indivíduos por grupo aumenta exponencialmente a complexidade das relações possíveis. 


Quantidade de pessoas e relações no grupo
A Democracia política abrange grupos de milhares e milhões de indivíduos comunicando entre si, portanto a sua qualidade depende directamente do valor da sua estrutura comunicativa e esta depende directamente da época, da sociedade em que existe e dos instrumentos comunicativos disponíveis.

Assim, funcionarão hoje  os modelos de Democracia de épocas passadas? Três perguntas-respostas: 

√ Há alternativas?; 
√ Há efeitos perversos?; 
√ É rentável?



C - Ainda é rentável?

A questão da partilha

Um exemplo,

Imaginemos uma Câmara Municipal que, durante uma semana, faz uma feira e pretende muitas fotografias para divulgação e promoção.
Contrata vários fotógrafos profissionais, dá a cada um temas distintos, desde visitantes, gado, divertimentos, acessos, comidas,... até imprevistos como zaragatas, roubos, namoros, brincadeiras de crianças, etc, para poder seleccionar e divulgar.
Como apoio, monta um centro de coordenação com vários técnicos para ir verificando as fotografias obtidas, a quantidade, qualidade, temas e re-orientar os fotógrafos para o dia seguinte.
Como é óbvio, os custos organizacionais são elevados com salários, deslocações, eventuais estadias, material fotográfico, staff de apoio, etc.

Esta era a organização normal e rentável em épocas passadas mas, hoje, surgiu o Amador Profissional, o indivíduo possuidor de máquina com qualidade, com destreza e talento na sua utilização, motivação, disponibilidade e sentido da oportunidade, o que vai possibilitar uma organização diferente.

Na verdade, a sua diferença para o profissional tradicional não é a competência, eventualmente iguais, é a sua autonomia e autogestão. Por exemplo, a dita "liberdade de imprensa" na prática é a liberdade dos donos da imprensa, pois um jornalista só publica se a hierarquia do jornal quiser, porém um bloguista publica o quer quer, quando quer e como quer. O mesmo sucede com autores com os seus ebooks, músicos com seus clips, que publicam na internet e se libertam do controlo de editoras.

Um caso paradigmático foi em Itália, 2006, com o documentário da BBC, Sex crimes and the Vatican, referente a abusos sexuais de padres. O canal TV- RAI adquiriu os direitos para a sua emissão mas as hierarquias políticas, igreja e administradores não o permitiram. Um grupo de bloguistas subtitularam o documentário e publicaram na Internet que rapidamente teve milhões de visitas, apesar do jornal Avvenire da Conferência Italiana de Bispos o considerar uma calúnia. Dias depois a RAI difundiu o documentário.

A utilização de Amadores Profissionais com a sua característica de autonomia e autogestão permite utilizar um método alternativo ao tradicional para criar uma base de dados fotográficos e com custos baixos.
Assim, complementando a participação do cidadão Amador Profissional, Câmara Municipal pode oferecer um site na internet para recepção, difusão e partilha de todas as fotografias que para lá forem enviadas com o nome do autor e o tema. Depois, basta seleccionar as pretendidas para a revista, folhetos e posters da Câmara.

O anterior staff de coordenação é substituído pela arrumação automática com base nos temas. A promoção dinamiza-se por si própria por contaminação social (buzz-buzz) na família, amigos, emprego e até nas crianças e jovens que querem participar. O empowerment do cidadão, a sua destreza tecnológica e a sensibilidade fotográfica é solicitada e promovida.

Esta hipótese da utilização do fotógrafo amador profissional foi a proposta do Flickr, em 2005, na Parada da Sereia em Coney Island, NY, e foi um sucesso.

Na prática é apenas uma perspectiva diferente da dinâmica de grandes grupos. Tradicionalmente, na política (da esquerda à direita) os grandes grupos são dinamizados por staffs de controladores a orientar participantes enquadrados em estruturas e lideranças.

A alternativa trazida pelo século XXI baseia-se num sistema de auto-controlo e auto-coordenação que propõe decisões em autonomia. Aparecem novas realidades sociais impensáveis no século XIX por estarem fora dos limites conceptuais dos teóricos políticos da época e, portanto, não consideradas nos seus paradigmas e modelos.

Estas novas realidades podem ser resumidas por serem de auto-funcionamento e custos reduzidos e poderem englobar milhares de participantes por dia em dezenas de países e centenas de cidades em simultâneo, como no caso do Occupy:


Parece óbvio que não é possível pensar a Democracia de hoje utilizando paradigmas tradicionais, oriundos do século XIX, nos quais esta realidade pertencia à ficção científica. O problema é que, para os modelos em uso na democracia e partidos, esse funcionamento é utópico, recusado e impedido por alterar relações de poder.

Como exemplo actual, o Goggle permite auto-coordenar escrita colectiva com custos baixos e de alta eficácia. O documento é, em tempo real, lido, alterado e confirmado por várias pessoas pelo que, não só ninguém pode reivindicar ser o autor de uma linha escrita, como também ele tem a validação de todos.
Dantes, uma obra colectiva era constituída por capítulos, cada um de autor diferente, que eram depois encadernados em conjunto. Ser colectivo significava aceitação, do tema e equilíbrio da compilação, não significava escrita colectiva. Pelo contrário, no sistema Google, cada linha é da responsabilidade de todos e se um dos participantes não existisse todo o documento seria diferente.

Noutro exemplo semelhante, o "simples" Skype permite a cooperação e colaboração de vários técnicos no mesmo trabalho por auto-coordenação, mesmo estando em locais diferentes, apenas por sincronismo de horários, flexíveis em função de tarefas ou de condições pessoais. 
O processo por ser complementado por email de "um para todos", sistema que não precisa de sincronismo emissor-receptor e possibilita feedback instantâneo com as mesmas características.

Como exemplo, foi assim que foi escrito o e-paper (pdf) "Técnicas de Face-a-Face na Sensibilização Ambiental" em dez dias, tendo 64 páginas com texto, fotos e vídeos.
Os autores, situados em 3 cidades diferentes, nesse período nunca tiveram encontro face-a-face apesar de pertencerem à mesma empresa, colaboraram nos conteúdos, na escolha de fotos e vídeos, propondo, recusando, validando em tempo real o resultado que ia nascendo, desde as hipóteses de capa (alterada 5 vezes) ao seu conteúdo.

Como conclusão, neste momento a sociedade já está disponível e preparada para um novo tipo de coordenação em novos formatos de cooperação, colaboração e decisão colectiva, permitindo eficiência e eficácia com baixos custos organizacionais.


A questão da cooperação

Uma esmola não é uma partilha entre dador e pedinte pois não há troca entre ambos do tipo "toma lá... dá cá". Mesmo a compra ou venda de batatas que é uma troca "toma lá... dá cá" de dinheiro por tubérculos também não é partilha. A partilha implica um sistema de comunicação activo, criando uma teia relacional de sincronismo e confiança.
Uma dádiva-colecta e/ou uma dádiva-colecta reciproca de dinheiro, objectos, informação, serviços (por ex., ternura na prostituição), não significa necessariamente partilha.

Como exemplo, a entrega de alimentos ao Banco Alimentar, e deste aos pedintes, não é um sistema de partilha é apenas um fluir de dádivas-recolhas sucessivas entre duas classes lógicas, os "possedentes" com recursos e os "pedintes" sem recursos, através do facilitador, um intermediário que recebe dum lado e entrega do outro.

Tecnicamente, para a dádiva-recolha passar a partilha e a cooperação se iniciar é preciso que, a nível de conhecimento entre os indivíduos, aconteçam três etapas:

1º - todos sabem;
2º - todos sabem que todos sabem;
3º - todos sabem que todos os outros sabem... que eles sabem.

Esta sucessão provoca o nascimento da confiança. Como exemplo, uma relação pai-filho, ou marido-mulher,  é muito diferente se é do tipo "eu sei que tu sabes e tu sabes que eu sei" ou, em alternativa, "eu sei que tu sabes mas tu não sabes que eu sei", os dois níveis de confiança criados são diferentes.

Porém, convém realçar que apesar desta evolução ser condição necessária para construir confiança grupal não é condição suficiente, como se provou no caso de Kitty Genovese, em 13 Mar 1964,


Kitty Genovese foi atacada duas vezes seguidas, violada e morta na presença de 38 cidadãos do bairro Queens, NY, que observaram o acontecimento de sua janela e nenhum chamou a policia, ou a ajudou
Este caso tem sido muito estudado procurando entender o que se passou e foi originar várias teorias entre elas a "síndrome genovese", o "efeito observador", a "inacção por difusão de responsabilidade", etc.

Numa perspectiva grupal, todos sabiam o que se passava e "todos sabiam que os outros sabiam que eles sabiam", simplesmente essa igualdade foi obtida por uma simples recolha individual de informação que nunca partilharam entre si, nem criaram redes de confiança. Assim, eram simplesmente uma classe lógica feita de observadores individuais isolados entre si, muito afastados de um fenómeno grupal.

Posteriormente, quando estas testemunhas foram inquiridas, concluiu-se que o facto de "todos saberem que os outros sabiam" tornou-os confiantes de que alguém chamaria a polícia e, portanto, nenhum chamou. É apenas um efeito perverso de um condição positiva necessária.

De facto, a condição necessária de todos saberem que todos sabem estava realizada, mas não era suficiente. A teia grupal de confiança não existia, na verdade eles não eram confiantes uns nos outros eram apenas crédulos uns nos outros.
A confiança exige condições reais de sustentação que eles não tinham, ela não pode ser baseada em pura crendice como, por ex., estratégias de campanhas políticas que jogam com a credibilidade dos crédulos.

A missionação cultural e política, os comícios, os discursos, a TV e os jornais não são partilha informativa são dádivas-recolhas informativas. Elas vão provocar o saber que todos sabem e criar a condição necessária para o grupo existir mas não são suficientes para criar redes de sincronismo e confiança imprescindíveis na Democracia. O exemplo do escândalo de Boston, apresentado a seguir, permite aprofundar esta diferença.

A questão da colaboração


Padre John Geoghan
Desde 1950 que, diversas notícias sobre a pedofilia do Padre John Geoghan, são difundidas no massmédia.
Todavia depois dos escândalos, a acção habitual é ele ser retirado de uma paróquias e nomeado para outra. Como exemplo, em 1984, foi nomeado pelo Cardeal Bernard Law para a paróquia St. Julia, Weston, depois doutro escâdalo.

Esta estratégia é a normalmente seguida nestes casos, quer sejam de pedofilia quer de agressões policiais ou escolares, abusos, incompetência por alcoolismo, etc, pois o padrão é aplicar uma solução para abafar o escândalo e deixar o problema como está.

O interessante é que este padrão é encontrado nas estruturas organizacionais, nas hierárquicas, sindicais, de classe e até nos próprios colegas que sabendo o que se passa, olham para o lado, alegando lealdade profissional. 
Parece ser mais importante esconder o escândalo e "desconhecer" o facto do que assumir a responsabilidade de resolver o problema nas suas consequências e afastar a pessoa da função e apoiar o seu tratamento.
Esta posição pessoal só se altera quando é o próprio filho a ser mal operado ou morrer na queda do avião por alcoolismo de técnicos ou a ficar em coma por maus tratos policiais ou escolares. 

No caso de Boston, a pedofilia do Padre John Geoghan sobreviveu, durante 34 anos, 6 paróquias, 130 crianças molestadas pois, apesar das crises, sempre se "olhou para o lado" com a estratégia de "resolver o escândalo e não o problema".
A situação tem a mesma matriz da morte de Kitty Genovese onde "todos sabiam que todos sabiam o que se passava" e tudo continuou na mesma.

Porém no início de 2002, o Boston Globe publica um artigo em duas partes sobre a vida do Padre John Geoghan que agitou a comunidade. Algumas semanas depois, numa noite de Janeiro, 30 paroquiantes juntam-se na cave de uma Igreja e dão inicio ao VOTF - Voice Of The Faithful

Algumas semanas depois são centenas e em Julho fazem a 1ª convenção com perto de 5.000 membros, alguns dos quais de fora de Boston. O crescimento continua e em 2004 têm perto de 25.000 membros e está em 20 Países. Em 2002, o Padre John Geoghan é julgado e preso e, em Dezembro, o Cardeal Bernard Law viaja até Roma e renúncia, renúncia essa que o Papa João Paulo II aceitou.

É vulgar e normal o nascimento e desenvolvimento da VOTFO que é extraordinário é o seu crescimento duplicando quase todas as semanas, sem estruturas, sem lideres e sem comando centralizado. A taxa de crescimento é anormal pois passar de 30 para 5.000 são 15.000% em 6 meses e para 25.000 são 80.000% em 2 anos. 

Nas Democracias do século XIX isto era impossível e nas Democracias do século XX implicava custos organizacionais, estruturas, hierarquias e lideranças muito dispendiosas em dinheiro, esforços, tempo e coordenação, difíceis de implementar em 4/5 meses com um ritmo de crescimento tão elevado.
O que se passou?

Com o slogan "Keep the Faith, Change the Church" era claro que o movimento não se satisfaria apenas com, pontualmente, expressar e resolver o ultraje, queriam ir mais fundo, queriam mudanças estruturais. 
A ousadia dessa intenção era grande. Laicos a quererem intervir na gestão da hierarquia da Igreja nunca tinha acontecido nos seus milhares de anos de existência apesar de, em 1960, o Concílio Vaticano II ter declarado que a Igreja era composta por padres e paroquianos. Todavia, em 2002 isso aconteceu, o Padre Geoghan é preso e o Cardeal Law renúncia.

A situação mudou em 2002 porque o email, redes sociais, internet e weblogs partilharam a informação e fizeram colaboração sem precisar de comando central, enquadramentos e estruturas de apoio de grande volume.

Nestes modelos a sua base é a criação de núcleos locais de amigos, colegas e conhecidos que funcionam em autonomia colaborativa e se expandem com facilidade e rapidez, simultaneamente em muitos locais. O interessante é que não ficam "afiliados" localmente mas, conhecendo as redes, conectam-se onde querem, com quem querem e quando querem. Numa palavra, a sua afiliação é com a internet e não com estruturas locais ou centrais. Modelo diferente do actual sistema partidário.

Sob o ponto de vista da difusão e crescimento, redes de apoio e redes de crítica tem o mesmo efeito, difundem e acrescentam factos, outras histórias, outros argumentos. Posições são assumidas e mais redes são constituídas. 
O jogo de comentários pró e contra nos jornais online não tem o mesmo efeito, pois o jornal funciona como comando central canibalizando para si as comunicações. É uma espécie de "hub" ("aeroporto") onde chegam e partem notícias e quem controla o "hub" controla a difusão. Nas redes o modelo não é "muitos-a-UM" e também "UM-a-muitos" mas sim "muitos-a-muitos".

No caso de jornais essa difusão-recepção não passará a rede excepto se se libertarem do "hub" (jornal) e se conectarem directamente, passando a ser "muitos-a muitos".

Isto aconteceu com a rede que detonou a Airline Passengers'Bill of Rights sobre os apoios a passageiros em aeroportos quando há longos atrasos.
Kate Hanni depois de ter sofrido um caso desses, em 2007 viu num jornal de Austin um artigo sobre atrasos de voos, comentou dando pormenores e no fim acrescentou "Anyone from this flight please contact me".

Houve vários contactos inclusive oferecendo-se para fazerem outros contactos e, assim, nasceu a rede. Desenvolveu-se,  conectou-se com redes de agências de viagens, outros problemas se agregaram tais como voos superlotados, má assistência a bordo, etc, e a Airline Passengers'Bill of Rights começou a definir-se.
A saída do "hub" do jornal, com seus comentários sucessivos, foi o factor crítico de sucesso para se transformar numa rede com o objectivo de criar o Airline Passengers'Bill of Rights.


Conclusão

Por um lado, existe uma Democracia baseada num modelo militar de cariz democrático, do tipo "elege-me e obedece-me", feita de estruturas de enquadramento recheada de grandes e pequenos "Q'ridos lideres", ordens, hierarquia, disciplina partidária, migalhas de informação e confiança baseada em crendice.
Por outro lado, surgem movimentos e organizações com outro estilo, sem lideres nem estruturas de enquadramento, com autonomia e criatividade, baseados em autogestão e auto-colaboração, e com resultados significativos.
A sua eficácia é um crescimento possível de 15.000% em 6 meses (VOTF) o que no século XIX seria um milagre.

Este funcionamento já existe na sociedade, por ex., VOTF, Occuppy, estudantes na Bielorussia com o método smartmobChina, etc, e nas empresas, por ex., Pixar com o trabalho em rede. Os seus suportes tecno-sociais são telemóveis, Internet, redes sociais, fotos, vídeos e empowerment do cidadão, suportes esses que continuam a crescer e inovar mesmo em sociedades repressivas à revelia das políticas impeditivas.
É preciso não esquecer que revoluções e evoluções sociais, não são novas tecnologias, nem novas estruturas, são novos comportamentos e estes brotam por todos os lados.

Neste século XXI já há diversos métodos, mas a base é a mesma, é o Scenius, ou gestão pelo contexto, em substituição do Genius, ou gestão pelo "iluminado" vulgo "Q'rido líder". 

Numa metáfora poderá dizer-se que Scenius é a liderança do agricultor que prepara a terra, lança a semente mas, daí em diante, é a semente que tem o controlo e toma decisões descentralizadas. Ela fica em autogestão, cresce, desenvolve-se e dá frutos sempre em sintonia e equilíbrio com o contexto. Não dependente de "ordens" do agricultor... e quando este o tenta, isso é negociado e ela tem sempre a última decisão de "fazer ou não fazer".

Os novos comportamentos
aparecem e crescem por todo o lado.
Continuação...

... a Democracia depende directamente da sociedade e esta dos seus cidadãos que, com as decisões que tomam, trazem o futuro consigo. Assim, como continuação ter-se-á o 9º post "Nos indecisos está o futuro".

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Indice do Blog
(com links para os posts já publicados)

No princípio era o caos
A viragem da civilização 
Fugindo da estupidez organizacional
A evolução aos "éssses 

Temporada 2 - Soluções?
Não guiar pelo espelho retrovisor

Morreu o consensus, viva o dissensus

A técnica do Jazz e o dissensus
E assim, co-labora ou morre

E por fim, a democracia da cumplicidade 
Aqui no futuro?

O 1º sonho

Video resumo: Nova Democracia