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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Nos indecisos está o futuro -Parte 2

Tema:
Em todas as Democracias, é normal a existência de numerosos cidadãos indecisos em quem votar e resistindo até ao último momento. Os "democratas assumidos" avaliam-nos como um mal necessário no funcionamento democrático, porém esta posição cria uma distracção que esconde o fundamental, isto é, eles não são doentes, são saudáveis a lutar contra doenças.

Os cidadãos indecisos são apenas cidadãos inteligentes, irredutíveis, que não desistem de votar com lucidez no seu voto. Por outras palavras, recusam-se a aceitar que tudo está bem e que o problema é deles quando, na verdade, sentem que está mal e é a votação que tem problemas. 
Assim, o seu elevado número nas Democracias expressa a presença de anticorpos saudáveis a reagir a virus endémicos (bugs) em situações bem definidas, as eleições.

Índice
Parte 1 (post anterior)
√ - Introdução
√ - A neutralidade
√ - Os votantes
√ - O bug "só votas SIM"

Parte 2 (post actual)
√ - O bugzinho dentro do bug
√ - A derrota do bug
   - Q&AM
√ - Conclusão


O bugzinho dentro do bug

O bug "só votas SIM", atrás descrito (post 10), contem um outro bugzinho sob a forma do dilema das "Falsas Escolhas".

Como se viu, a essência do bug "só votas SIM" é que, para dizer NÃO a uma alternativa, só é possível fazê-lo se se disser SIM a outra alternativa mas, quando existe uma que é desejável, este bug apesar de existir é inócuo.
Se não existem desejáveis, então o bug deixa de ser inócuo pois ter-se-á sempre que votar numa que também é indesejável. Neste caso, o dilema das "falsas escolhas" é activado.

In brevis, as "falsas escolhas"é o dilema em que não há escolha possível pois tem sempre que se escolher o que não se quer. Como ilustração, a história do Casamento Democrático:


Numa comunidade, quando uma jovem faz 20 anos a família lista os seus pretendentes e vota o futuro marido. É tudo muito democrático pois o noivo é votado pelas mulheres de toda a família, incluindo noiva, avós, mãe, irmãs, tias, primas próximas e afastadas. 

O sistema é simples, vota-se e o mais votado casa. Se as mulheres da família não sabem quem escolher votam em branco mas, se preenchem mal o voto, este é anulado. É possível votar contra qualquer pretendente indesejável e a abstenção é mal vista pois demonstra falta de consideração para com a noiva e família.
Boletim de voto
Ultimamente, a situação começou a complicar-se porque, perante certas listas de candidatos, as votantes recusavam-se a votar pois teriam sempre que escolher um e nenhum prestava.
Este conflito sempre existiu, mas essas perturbações ficavam enevoadas com a discussão sobre o valor dos candidatos e com a inabilidade das votantes. Por outras palavras, discutia-se um sintoma (a escolha a fazer) mas não se discutia a sua causa (o método de escolha).

Na última votação, o escândalo explodiu. O problema foi que, das 20 mulheres da família, entre brancos, nulos e abstenções, o total das que não votaram foi 17. Houve 3 votos e, destes, um candidato obteve 2 conseguindo 66% dos votos pelo que, democraticamente, exigiu casar com a jovem.

O conflito agudizou-se porque, apesar de ser verdade, as eleitoras diziam que ele tinha 90% de não-apoios versus 10% de apoios, o que também era verdade. Criou-se um impasse, pois a discrepância era grande entre 66% de votos corresponderem apenas a 2 votos em 20 eleitores.

Até então, a comunidade costumava, discretamente, considerar essas situações como desacordos pontuais desprezáveis e a "esquecer". Desta vez, o impasse não foi "esquecido" e o principal ponto de atrito centrou-se no conceito de absentista.
Para uns, era alguém ausente que não estava interessado em escolher, para outros, era alguém que, interessado em escolher, não ia votar pois teria sempre que escolher contra a sua opinião. Esta posição defendia que não eram absentistas ausentes mas sim escapistas, presentes na recusa de não poder dizer NÃO a todos.

Absentista ou Escapista
de ter que votar o que não quer ?

Ainda apareceu o argumento que "...quem não gostasse de nenhum candidato que apresentasse outro". Porém foi refutado dizendo que a função do votante era votar não era construir listas de candidatos.

Das conversas entre todos, a conclusão geral foi que, realmente, não se poderia votar em consciência se houvesse obrigação de votar num indesejável. Neste caso, o escapista seria o eleitor que não queria fazer voto fraudulento pois sabia votar, sabia o que queria e não podia demonstrá-lo.

Com este consenso o diagnóstico foi fácil, o problema estava no Boletim de Voto e não nos candidatos, nem nos eleitores. A solução também foi fácil, era só acrescentar a alternativa "nenhum deles" no Boletim de Voto:
Boletim de voto com solução ao dilema
O bugzinho do Dilema das Falsas Escolhas foi descoberto e anulado, os votantes puderam passar a poder votar de acordo com a sua consciência.

Porém, esta mudança trouxe outros problemas, pelo que soluções foram procuradas. Por exemplo, para impedir círculos viciosos foi criada a regra de que, se o total de votos SIM fosse inferior a 50%, seria necessário fazer nova votação. Foi ainda acrescentado que, para evitar obter o mesmo resultado, os candidatos anteriores não poderiam tornar a ser candidatos na repetição pois, logicamente, se fossem elegíveis já o teriam sido na primeira vez.

Tudo acabou bem, o Casamento Democrático entrou numa nova era. O futuro tinha nascido a partir de eleitoras indecisas que não abdicaram de lutar pelo fim do voto armadilhado. Afinal, elas não eram eleitoras débeis mentais, mas sim eleitoras lúcidas mentais e irredutíveis acerca da existência de um bug  a solucionar.

___ FIM___

Regressando ao actual sistema democrático e aplicando a mensagem da metáfora descrita pode imaginar-se que, "por milagre", se fariam três modificações:

1º -  o bug "falsas escolhas" era retirado do boletim de voto por incluir a escolha "nenhum destes";
2º - era definido um limite legal mínimo para a total percentagem de SIM (50%?) inferior à qual a eleição era invalidada e repetida,
3º - nenhum candidato da eleição invalidada poderia ser candidato na sua repetição.

Com estas novas regras eleitorais o equilíbrio partidos, candidatos e eleitores alterar-se-ia. Acções políticas, estratégias e campanhas teriam que substituir a primazia da "luta por ganhar" pela prioridade de "todos não-perderem".
Na verdade, esta pequena diferença era crucial pois transformava os eleitores no factor decisivo das eleições com a sua capacidade de poder de vetar todos os candidatos. Até então, com o método anterior, numa lista de maus, um mau é sempre eleito mesmo com poucos votos, o que é um contrasenso democrático.

De salientar que, numa assembleia a votar propostas, a votação uma por uma evita este bug porque cada votação contem SIM e NÃO pelo que, no final, todas podem ser recusadas. Numa votação por listas, a alternativa "recusar todos" tem que estar incluída ou então o bug aparece.

Esta pequena alteração não é pontual é sistémica.
Por exemplo, se esta ficção fosse aplicada às Eleições Legislativas 2011 com os seus 55,7% de votos SIM em partidos (vide post anterior), o risco corrido para todos perderem e ficarem inelegíveis na repetição seria de 5,7% de votos a emigrar de pequenos e grandes partidos para absentistas, brancos ou nulos.
Como é óbvio esta possibilidade teria alta probabilidade de poder acontecer pelo que, mesmo sem ter sucedido, existiria um sério aviso para o cuidado a ter nas eleições de 2015. O fantasma do veto geral,  com a consequente inelegibilidade, seria uma Espada de Dâmocles sobre os candidatos da qual, actualmente, estão imunes. As relações sociedade civil versus sociedade politica adquiriria um novo perfil.

O argumento dos custos, riscos e benefícios envolvidos numa mudança deste genero são reais mas, quaisquer que sejam, nunca têm valor absoluto. São sempre valores relativos entre os de continuar como está e os de mudar. Na prática, as questões básicas a responder seriam as clássicas em gestão da mudança:

- Há, ou não, um problema a resolver? - se sim, então,
- Quais as vantagens e desvantagens do antes e depois da mudança? e ainda,
- Deixa-se ficar como está, altera-se ou há outra alternativa?


A derrota do bug

Porém, com ou sem resolver o dilema do boletim de voto, há outras alternativas para não se ficar emaranhado no bug "só pode dizer SIM". Porém, se os candidatos forem todos inaceitáveis ter-se-á primeiro que resolver o dilema das falsas escolhas pois, como disse o sábio ao rei, [...se toda a comida está envenenada não há escolha, a decisão é dieta].

Pelo contrário, se existirem candidatos aceitáveis (ver movieclip no final), o processo é simples, basta obter informação válida para poder votar de acordo com a consciência. O ponto crítico da indecisão é a falta de informação para decidir, portanto, a solução óbvia é providenciar informação adequada, in tempore. 

A solução disponível no século XXI, à semelhança da dinamização informativa da VOTF (USA), é a criação de uma rede social


que, sem estruturas de controlo nem lideranças, alimente, clarifique e pressione a existência de informação actualizada sobre compromissos, promessas e decisões da gestão da Res Publica (República). Na prática é a sociedade civil a manter-se informada e atenta ao que a sociedade política, por si eleita, faz ou vai fazer.

As redes sociais criam uma dinâmica diferente da comunicação de massas com o seu modelo "um-a-muitos". Este modelo tem diversos formatos, tais como, jornais, rádio TV, brochuras, cartazes, folhetos, etc. Entre, os mais vulgares estão as NOTÍCIAS, com a técnica do "gargalo de garrafa" (bottleneck effect) para filtragem da informação difundida:



Saliente-se que os comentários online nas notícias não alteram o bottleneck, pois também eles são controlados e representam apenas uma pequeníssima permilagem (uma dezena??) de opiniões enviadas/lidas em relação às milhares difundidas.


Se se analisar o processo "notícias", encontra-se duas entidades em acção, o pólo massmedia, emissor activo, que difunde "um a muitos" e o pólo leitor, receptor passivo, que acolhe a notícia sendo "um entre muitos". Este processo funciona como controlo centralizado sobre a informação recebida por MUITOS. 

No século XXI, este controlo perde hegemonia ao ser contrabalançado pelas redes sociais. Nestas, a grande diferença é que cada receptor passivo é também emissor activo, ou seja, tudo passa a ser conversa de "muitos-a-muitos".

Em resumo, nas redes sociais o controlo informativo desaparece pois todos decidem "sim ou não" às emissões. A validade dos conteúdos já não é por existir crédito no emissor "oficial", mas sim por serem aprovados pela capacidade crítica de quem recebe. A comunicação deixa de ser um circuito de "gentinha a ouvir celebridades" (riffraff hearing VIP's) para ser um fluir de significados entre "pessoas a falar com pessoas" (persons talking to persons).

Esta diferença comunicativa tem grande importância pois o poder de mobilizar deixa de depender de lideres, estruturas e recursos e só depende da capacidade de cada receptor criar significados e ser emissor. Esta capacidade depende directamente da quantidade e qualidade da conexão com amigos, conhecidos e outras redes sociais e da facilidade com que um click pode abrir a emissão, liberto de fronteiras, horários, burocracias, hierarquias, etc.

Este funcionamento ultrapassa os "bottlenecks das notícias" e recria a tradicional conversa do "largo da aldeia" mas, agora, uma aldeia a nível planetário onde todos falam com todos.

Redes sociais fora do massmedia
na Aldeia Global em Portugal
A par de redes sociais para a obtenção de informação, existem outras formatos, um das quais é o formato Q&AM  - Question Answer Meeting

Q&AM - Question Answer Meeting

Este formato baseia-se num grupo questionante que prepara uma lista de perguntas concretas para esclarecer dúvidas e a serem respondidas em sessões faca-a-face com palestrantes. A sua utilização vai desde o ensino (Peer System) até à maturação colaborativa, passando por esclarecimento político.

Ao contrário de conferências e comícios nos quais o orador diz o que quer, como quer e quando quer, no Q&AM o orador diz o que os ouvintes querem saber. É uma espécie de QA, na perspectiva da Quality Assurance e Quest-Answer.
Durante o questionamento, em função das respostas, novas perguntas podem surgir que, escritas pelos participantes, são projectadas e ficam em standby como referência para futuras respostas e/ou futuras perguntas.

No caso de esclarecimento político, o objectivo do Q&AM não é possibilitar "missionação política" aos candidatos, mas sim criar condições para os eleitores esclarecerem dúvidas existentes e validar credibilidade e compromisso do candidato.  Numa palavra, é dar informação aos eleitores para eliminar indecisões.

Como é óbvio, objectivos diferentes obrigam a organizações diferentes. Como exemplo, dois formatos distintos aplicados à mesma sessão de 90 minutos com 100 participantes e 1 candidato.

A - Missionação política

1 - Na hora marcada os participantes entram na sala para assistir à palestra.
2 - O candidato fala durante 60 minutos com o discurso preparado e os eleitores assistem.
3 - No últimos 30 minutos, os eleitores colocam perguntas e o candidato responde.

Considerando que cada conjunto pergunta-resposta leva 5 minutos (2m pergunta + 3m resposta), os 30 minutos de dúvidas apenas permitem a 6 eleitores (6x5m=30m) participarem, pelo que 94% continuam apenas ouvintes.
Se se fizer blocos de perguntas para o candidato responder, poupar-se-á algum tempo nas respostas (1m a 1,5m em cada) mas elas perderão focagem e aumentará a generalidade. Por outro lado, só haverá uma poupança de 6 a 9 minutos, permitindo apenas mais 1 a 2 questões, pelo que passa de 6 para 8%.

Como se deduz, neste modelo a participação não é significativa com os seus 92 a 94% de ouvintes calados,

Em resumo, o núcleo duro do formato são 60 minutos de palestra com uma participação activa de 6 a 8% dos ouvintes esclarecendo as suas dúvidas. Normalmente, este debate é uma troca de "fait divers" técnico-afectivos, uns positivos na confirmação e outros negativos na contestação.

B - Esclarecimento Q&AM

1 - Antes da hora marcada, o grupo de participantes tem uma sessão prévia para preparação. Em média, são precisas 2 horas para 100 pessoas.
Nessa preparação, 100% dos participantes colocarão todas as dúvidas que pretendem esclarecer. Essa listagem de dúvidas será "clustered" (no calão técnico "clusterizada", isto é, agrupadas, integradas, relacionadas, sintetizadas) e formalizadas 12 perguntas (12x5m=60m) concretas a serem respondidas pelo candidato na 1ª parte da sessão.
A lista final será validada por todo o grupo e será reformulada caso alguém concluir que uma dúvida apresentada não está expressa.

Para aumentar a eficiência e eficácia, a preparação poderá utilizar metodologias de metaplan, cafe, buzzgroup, virose, etc, possibilitando um questionamento mais lúcido, profundo e concreto sobre a informação pretendida e ainda definir critérios para avaliar a qualidade das respostas obtidas. 

2 - Nos primeiros 60 minutos são apresentadas as perguntas preparadas com origem nas dúvidas de 100% dos participantes e ouvidas as respostas do candidato. Durante este período, eventuais novas dúvidas surgidas poderão ser comunicadas (escrito ou oral) à organização do Q&AM.

3 - Nos 30 minutos finais, as dúvidas surgidas na fase anterior serão apresentadas, eventualmente complementadas com questionamento directo.

Em resumo, o núcleo duro deste formato são 90 minutos para informação respeitante às dúvidas existentes. A 1ª parte reporta-se à questões obtidas previamente com 100% de participação e na 2ª parte aos aspectos conspícuos obtidos "in loco" por 100% do grupo.

O Q&AM, apesar de poder ser difundido pela internet, é diferente do modelo debate TV onde a conversa (programada ou espontânea) é entre poucos para ser difundida para muitos.

No debate TV em directo ou diferido, o verdadeiro interlocutor não é o "interlocutor" TV, pois todos falam para os telespectadores que não interferem, apenas ouvem, calados com a participação possivel  de 0%.
Os telefonemas online, filtrados ou não, são apenas "show" pois representam 0,000000??% em milhares de telespectadores, isto é, são entretenimento não são intervenção.
O interlocutor presente na sala, qualquer que seja a sua intervenção, apenas serve como "tabela", um mero pretexto, para outro aproveitar e difundir os "falares" desejados para os ouvintes telespectadores. Muitas vezes, qualquer relação entre o que um diz e o outro responde é pura coincidência.

Como diz a "teoria", no debate TV, o importante não é o que acontece lá mas sim a sua consequência na percepção dos telespectadores, ou seja, a regra é "Perder no debate e ganhar na audiência é óptimo, o contrário é péssimo".
No debate Q&AM a regra é diferente, ela diz que "Perder no debate é perder tudo" pois a audiência presente é o único interlocutor e as consequências só existem nela. Os participantes convencem-se ou não, entregam o seu voto ou não, tudo começa e acaba aqui.

Como exemplo de um Q&AM simplificado, apresenta-se um movieclip (4m) do filme Swing vote, 2008, com Kevin Costner. Neste caso, apesar de haver audiência, ela não "existe", pois a única consequência existente é o único interlocutor dos candidatos decidir em quem vai votar.

Tema:
Na eleição do Presidente USA, os dois candidatos ficam empatados. Descobre-se que, numa aldeola do Novo México, por falha de energia, o eleitor ficou registado mas o seu voto não ficou. Por lei, neste caso, o cidadão pode repetir o voto no prazo de 10 dias. Entretanto devido ao empate existente, este único voto decidirá o Presidente eleito.

O cidadão cujo voto sofreu falha de energia (Kevin Costner) é um desempregado, semi alcoólico, politicamente analfabeto, abúlico, crédulo que só vive o "momento presente". Durante 10 dias é "perseguido" pelo massmédia e pelo marketing dos candidatos que o tentam "caçar" para o seu lado.
O seu Alter Ego é a filha de 10 anos, politicamente activa, que o protege, "chateia" e defende das manipulações e responsabilidade em que foi mergulhado.

Por fim, decide que tem que votar e precisa de informação. Entretanto, como recebeu milhares de cartas com pedidos e informações que não leu, angustiado, começa a lê-las e acaba por pedir um Q&AM com os dois candidatos onde estes responderão às suas perguntas, para ele poder escolher um deles.

Preparando perguntas, perguntando, decidindo o voto


Conclusão

Os indecisos são uma classe lógica. Eles são os excluídos da informação política apesar de serem a sua força "laboral", no geral produzem a votação que dará a escolha final. Esta "responsabilidade" é clara nos títulos das notícias:


Sociologicamente, os indecisos não são um grupo. Na metáfora do "Casamento Democrático", foi o escândalo de obter 66% de apoio com 2 votos que provocou o detonador ("trigger") da transformação da classe lógica "eleitoras indecisas" em grupo decidido a alterar a situação.

Simplesmente, o facto de nas Democracias os milhares ou milhões de indecisos existentes não serem grupo, não invalida a projecção de que o "futuro está nos indecisos".
A semente está lá, só falta germinar na comunidade. Se o trigger (detonador, gatilho) aparecer, o tipping point (ponto de inflexão, viragem, contacto) unirá redes e a classe lógica com milhões de indecisos fará a metamorfose para grupo:


Continuação...

... a Democracia vive fora do real e dentro do mundo virtual das imagens difundidas. Assim, surge o 11º post, "Pregoeiros no poder ".

............................

Indice do Blog
(com links para os posts já publicados)

No princípio era o caos
A viragem da civilização 
Fugindo da estupidez organizacional
A evolução aos "éssses 

Temporada 2 - Soluções?
Não guiar pelo espelho retrovisor

Morreu o consensus, viva o dissensus

A técnica do Jazz e o dissensus
E assim, co-labora ou morre

E por fim, a democracia da cumplicidade 
Aqui no futuro?

O 1º sonho

Video resumo: Nova Democracia

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Nos indecisos está o futuro - Parte 1

Tema:
Em todas as Democracias, é normal a existência de numerosos cidadãos indecisos em quem votar e resistindo até ao último momento. Os "democratas assumidos" avaliam-nos como um mal necessário no funcionamento democrático, porém esta posição cria uma distracção que esconde o fundamental, isto é, eles não são doentes, são saudáveis a lutar contra doenças.

Os cidadãos indecisos são apenas cidadãos inteligentes, irredutíveis, que não desistem de votar com lucidez no seu voto. Por outras palavras, recusam-se a aceitar que tudo está bem e que o problema é deles quando, na verdade, sentem que está mal e é a votação que tem problemas. 
Assim, o seu elevado número nas Democracias expressa a presença de anticorpos saudáveis a reagir a virus endémicos (bugs) em situações bem definidas, as eleições.

Índice
Parte 1 (post actual)
√ - Introdução
√ - A neutralidade
√ - Os votantes
√ - O bug "só votas SIM"

Parte 2 (post seguinte)
√ - O bugzinho dentro do bug
√ - A derrota do bug
   - Q&AM
√ - Conclusão

Introdução

O problema é simples, a votação é apenas um instrumento social destinado a comparar conjuntos de opiniões individuais mediante "pesagem" das suas quantidades.

Deste modo, o seu resultado não diz se a opinião decidida é boa ou má mas, apenas, se o nível de concordância/adesão grupal é elevado ou baixo. Pode existir um elevado nível de acordo/adesão grupal em simultâneo com um elevado nível da "erro" na opinião ganhadora. O resultado de uma votação não é sobre a validade técnica da opinião ganhadora mas sobre a sua validade social.

Numa conclusão "fast think", a validade do resultado depende da validade das condições processuais  de votar e da maturidade informativa (informação e compreensão) dos votantes. Quando estas duas condições não existem a "votação democrática" nada tem de democracia. "Ser eleito", per si, é condição necessária mas não suficiente de eleição democrática.

Como em qualquer pesagem, se os pratos estão equilibrados, um grão de areia decide o mais pesado. No caso da votação, os indecisos poderão ser o "grão de areia" que define a decisão:


Isto é, se os votos estão equilibrados, são os indecisos acerca do que votar que decidem o futuro a construir. O bug resume-se em poucas palavras, "quem não sabe o que fazer, decide o que vai ser feito".

Convém distinguir entre decisão e decisor, por exemplo, um doente não decide a operação a fazer mas decide ser, ou não, operado. Na prática, na Democracia pode acontecer que duas propostas políticas  tenha cada uma 45% de adesão no grupo de apresentação, mas o decisor final da adoptada pode ser um grupo de 10%, estranho à sua construção e indiferente à adesão.
Desde a Democracia Ateniense que se considera o voto ser apenas uma consequência operacional da essência da Democracia e esta estar no diálogo político e não na votação.

Este “bug” infiltrado no processo democrático, é bem conhecido da sociedade, comentadores, partidos, massmedia, etc, porém continua intocável e activo com todos observando, criticando e nada fazendo, mas esperando um "milagre" para resolver a sua negatividade, ao estilo de uma síndrome de kitty Genovese.

Com gritante evidência, este consentimento significa que todos sabem que todos sabem que quem não sabe o que fazer, decide  o que vai ser feito:

Títulos no massmédia
Esta situação é vulgar e normal por todo o lado. Poder-se-á, assim, concluir que os indecisos são muitos, existem por todo o lado e contaminam negativamente a Democracia. É uma perspectiva, mas há outra que se lhe opõe que é eles contaminarem positivamente a Democracia.

Por exemplo, o facto do Brasil ter 28 milhões de indecisos numa eleição presidencial pode concluir-se   duas possíveis causas. Uma delas é que a origem está nos indivíduos, ou seja, não há problema democrático, mas sim uma doença mental epidémica de abulia ou incapacidade decisória. Porém, isso não é lógico, pois os 28 milhões de votantes fazem decisões todos os dias desde comprar casa e automóvel até decidir se comem peixe ou carne ao almoço.

Assim, o problema deve ser outro e com base na "Teoria de Campo" (Field Theory) se, num determinado contexto muitos indivíduos têm o mesmo comportamento, ele deve ter origem na mesma situação que os afecta de igual modo. Assim, se numa eleição existem muitos votantes indecisos, a causa deve estar nos "menus" apresentados, comum a todos, e não nos votantes, todos diferentes entre si. A ser assim, não são os eleitores a precisar de tratamento mas sim as propostas a precisar de reformulação.
Como exemplo, num restaurante, quando os clientes recusam qualquer oferta, não há clientes abúlicos com dificuldades de decisão, há sim um menu recusado.

Numa visão global deste problema, verifica-se que ele é comum a todo o ser vivo, por exemplo, se se der comida a um cão, ele antes de comer cheira a oferta e se tiver dúvidas cheira melhor ou recusa. Isto significa que o cão para decidir o que fazer procura a informação que precisa:


Querer decidir com informação não é uma característica humana é uma necessidade operacional para se poder escolher. Sem informação é saudável ficar indeciso e é doentio escolher às cegas.

Numa votação, a existência de muitos indecisos, não significa incapacidade mental ou debilidade democrática, significa um sinal de lucidez política, de sintoma de falta da informação necessária para construir a decisão. Não é uma doença cultural, é a saúde cultural a querer usar lucidez e não crendice para decidir.

Nas democracias, a existência de indecisos nas votações significa que não conseguiram construir a decisão. O problema está em informação deficiente, generalista, caótica, ou não válida para decidir a escolha. Esta é uma situação vulgar na publicidade política e comercial.

Quem escolhe com informação inútil se, além de indecisos também forem crédulos, então decidirão com base em afectividade, moda, pressões, crendices, pertença grupal, escolha do "mal menor", etc. Em casos de publicidade comercial enganosa a alternativa não é grave pois origina experiência independentemente de originar também perda de dinheiro, protestos, recusa em tornar a comprar, etc.

Porém, na publicidade política enganosa a situação é mais grave pois, continuar indecisos até ao fim, significa escolher "à balda" ou ficar neutros com voto branco (não sei o que fazer), com voto nulo (não sei como fazer) ou com absentismo (recusa a fazer).

Na prática e em resumo, as opções que restam aos indecisos-até-ao-fim são escolher "à balda" ou neutralidade.


A neutralidade

Uma história:

Imagine que vê alguém levar bofetadas. Não quer interferir porque não sabe o que se passa e, portanto, fica neutro. Na verdade, esta neutralidade não tem nada de neutro. Na prática, é uma autorização, um consentimento e um apoio para que um deles continue a dar bofetadas e o outro continue a levá-las.
Se o observador fizer algo, impedir ou acrescentar um estalo, o equilíbrio da situação é alterado e o resultado final não é o mesmo, porque ele deixou de seu neutro.

Em termos humanos, desde que uma pessoa tenha conhecimento de uma situação, a neutralidade pessoal nunca mais é mais possível, pois fazer NADA é agir a favor de quem domina/controla o que está acontecendo.
Se "ficar neutro", quando decide fazê-lo não sabe quem vai ganhar mas, no final, saberá quem foi... foi aquele a quem, com a sua neutralidade, deixou que tudo continuasse. Se no final gosta do resultado, então,"ainda bem", se não gosta, então, "ainda mal", mas qualquer um foi obtido com a decisão de fazer "nada".

Quem se abstem, vota branco, ou vota nulo ajuda sempre o vencedor final pois, se tivesse feito "ALGO", mesmo de efeitos pequeníssimos, o resultado nunca seria exactamente o mesmo. Na anterior história da bofetada, ficar neutro significa apenas ficar do lado de quem está a dar bofetadas porque está a ser o "dono" da situação.


Os votantes

A actual democracia é um jogo de equilíbrio entre partidos e grupos (lobbies, sensibilidades internas, etc) que, muitas vezes, "se equilibram" à porta fechada.
Por ex., em certos países, a eleição de figuras públicas, partidárias, funcionais, etc, é feita, não por sufrágio directo, mas em Câmaras de Representantes de controlo e negociações mais fáceis, porém não necessariamente mais competentes ou legitimas, legais, transparentes, isentas, etc. É a chamada "democracia governada" (ver M. Duverger), ou seja, é uma democracia obediente a uma minoria.

Se se analisar os votantes de uma Democracia, eles constituem duas classes lógicas, os "cidadãos controlados", formal ou informalmente nas teias partidárias ou quejandas, e os "cidadãos não-controlados" que teimam em se manifestar à revelia dos partidos, e que hoje são chamados "independentes".

Repare-se na ironia do nome (lapsus línguae?) de "independentes" pois, por lógica, estão a afirmar que os outros, os eleitos partidários não são independentes e sim dependentes, uma espécie de "his master voice".

Porém, hoje, a questão complica-se porque, mesmo nos "controlados"existem outras duas sub-classes lógicas, os militantes (hard group) mergulhados na disciplina e crenças partidárias e os simpatizantes-incertos (soft group) mais indisciplinados, normalmente em grande número, incertos, flutuantes inter-partidos e constituindo um factor de incerteza partidária.

O cerne da questão é que a classe lógica dos independentes e dos simpatizantes-incertos não se preocupam com crenças, ladaínhas partidárias, dogmas, defesa da "camisola", etc, mas focam-se em problemas, soluções e lucidez versus enevoamento. Não gostam de politiquice mas talvez gostem de política.


O bug "só votas SIM"

Não se pode votar contra,
só se pode votar a favor.

Uma campanha eleitoral é uma espécie de venda de adesões através de contactos e propaganda política.
Em principio, os cidadãos inseridos nos partidos têm a opção de voto clarificada pelo que, para eles, as campanhas seriam desnecessárias. As grandes manifestações partidárias nas campanhas servem apenas de “show” para consolidação interna e externa de simpatizantes. É uma espécie de catarsis familiar e de amigos.

O objectivo da campanha é principalmente enlaçar (to bind) os neutros e os indecisos. A estratégia é simples, o seu objectivo é convencer por afectividade (apertos de mão, contacto face-a-face, sorrisos, beijinhos às crianças, etc) ou por ladaínhas repetidas (slogans, frases feitas, afirmações óbvias, etc).
A base argumentativa é "dizer bem de si próprio" e "dizer mal do oponente". Se não convence, pelo menos  agudiza a indecisão e origina abstenção por voto branco ou voto nulo.

Se convence é óptimo porque ganha um voto, se não convence é bom porque cria dúvidas e negatividades sobre o outro com tendência para indecisão e neutralidade e a consequência neste caso é que os votos desses cidadãos deixam de existir, saem de jogo, o seu voto não "pesa", nem para uns nem para outros.

Esta estratégia "eu bom ou o outro mau" é fomentada pelo bug escondido no sistema. O bug é não haver votos contra, ou seja, não se pode votar contra ninguém, só se pode votar a favor de alguém. É uma solução de sabor masoquista porque, se não quer alguém (ou alguéns), tem que dizer SIM a um dos outros.
A situação é extremada quando se recusa todos, porque tem sempre que escolher um e, neste caso, é preferível escolher o que recusa menos. Em resumo, quando todos são maus, um deles vai ganhar com isso.

Os votos nulos são causados por erros processuais e os votos brancos são causados por escolhas impotentes, incapazes de se decidir. Mas recusar todos não é uma escolha impotente, incapaz de decidir, é uma escolha feita com responsabilidade e consciência.

Dizer NÃO, não é dizer que não sabe o que quer, é afirmar que sabe o que quer, é dizer que quer "nenhum-deles", logo não pode votar branco.
Este direito de dizer NÃO a todos não pode ser retirado ao eleitor ou o seu voto passa a ser um voto fraudulento porque é obrigado por "estranhos"a votar contra a sua consciência, a votar algo que não quer.

Quando comentadores dizem "não se abstenha, vote contra", isto é uma armadilha porque é impossível votar contra. Esta armadilha é clara se se perguntar "Então, voto em quem?". A resposta do comentador, ao indicar quem é o substituto que propõe, esclarece a intenção real do seu conselho e, se não indica ninguém, o seu conselho é apenas "fogo de vista" a vender falácias.

Aprofundando este bug, verifica-se que uma eleição tem duas fases:

A - Obtenção de conjuntos dos votos;
B - Decidir as consequências da sua comparação.

O bug está instalado na Fase A. A concretização da fase B tem diversos modelos para a sua execução, como por exemplo, o método Hondt e o método de Sainte-Laguë, uns adoptados por uns países e outros por outros.

A Fase A, se tiver o bug instalado, com a sua obrigação de votar em alguém, origina estratégias interessantes na luta partidária. A sua essência é a desvalorização do outro, estratégia essa que pode utilizar formas primárias de insultos, calúnias, fofocas, etc, até formas elaboradas e subtis como jogos psicológicos.
Como exemplo deste último, eis um cartaz com base na dinâmica de Karpman, com o jogo da vítima, perseguidor, salvador:

Agosto 2015
em que se apresenta uma vítima, perseguida pelo adversário e com o candidato a aparecer como salvador. Na prática, o jogo expressa-se num diálogo virtual com o eleitor do tipo [...há vítimas matirizadas por aquele perseguidor, junta-te a mim que sou seu salvador..].

A proposta é simples mas com "anzol embutido"(ancrage) pois, ao difundir afectivamente "diz não a eles", leva ao "beco sem saída" da obrigação de dizer SIM a outro e, por acaso, "aqui estou EU" disponível para aplicar o seu voto. É um processo de manipulação pelo contexto (go in).
(ver "Pregoeiros no poder", post 11) ( a publicar)

As legislativas em Portugal em 2011 são um exemplo claro da consequência de votações só com votos a favor, pois duas análises diferentes produzem resultados distintos. 
Assim, num gráfico apresentam-se as percentagens calculadas em função dos votantes e no outro as percentagens calculadas em função dos eleitores.

Os Dados base são:

eleitores: 9.624.133, votantes: 5.588.594, não-votos (abstenções+brancos+nulos): 4.263.912, ou seja,
abstenções: 4.035.539, nulos:79.995, brancos:148.378, votos em partidos:5.360.581

A - Percentagens baseadas nos votantes:


Legislativas 2011
A conclusão é que o partido mais votado (PSD) tem 38,65%, portanto, existiram 61,35% (100-38,65) de votantes que não o escolheram, ou seja, em números reais o PSD foi escolhido por 2.2 milhões de votantes e não foi escolhido por 3,4 milhões de votantes.

Os mesmos cálculos para o 2º partido, o PS tem 28,06%, portanto, existiram 71,94% (100-28,06) de votantes que não o escolheram, ou seja, em números reais o PS foi escolhido por 1.5 milhão de votantes e  não foi escolhido por 4.0 milhões de votantes.

 B - Percentagens baseadas nos eleitores:


Legislativas 2011
A conclusão é que o partido mais votado (PSD) tem 22,44%, portanto, existiram 77,56% (100-22,44) de eleitores que não o escolheram, ou seja, em números reais o PSD foi escolhido por 2.2 milhões de eleitores e não foi escolhido por 7,4 milhões de eleitores.

Os mesmos cálculos para o 2º partido, o PS tem 16,29%, portanto, existiram 83,71% (100-16,29) de eleitores que não o escolheram, ou seja, em números reais o PS foi escolhido por 1.5 milhões de eleitores e não foi escolhido por 8,1 milhões de eleitores.

Em conclusão:

Na análise das percentagens de votos, a mudança de perspectiva de votantes para eleitores altera a percepção da inserção e validação do programa "ganhador" na opção dos eleitores portugueses.

Considerando que a fase seguinte de 4 anos deve ser sustentada pela sintonia e consensos de todos os  eleitores e não apenas dos votantes, deve-se pensar o futuro democrático com base nos números reais de cidadãos-eleitores e não com o subgrupo parcial de cidadãos-votantes.

Para tornar clara a diferença, o elevada nível de consensos e adesão no sub-grupo ainda mais reduzido de cidadãos-membros do partido ganhador, torna este sub-grupo o ideal para ocupar todos os lugares de gestão durante os 4 anos (por alcunha os "boys").
Salienta-se que esta tática, sob o ponto de vista operacional, é lógica e, na História, todos os sistemas autoritários a fizeram e fazem, apesar da sua negatividade por destruir teias sociais.

Em resumo, o resultado comparativo é:

Percentagem de votos em partidos: 55.7%
As eleições pretendem criar um projecto de futuro que tenha o maior nível possível de consensos e adesão em toda a sociedade, de modo a possibilitar uma eficaz mobilização das forças sociais, todavia o anterior  resumo mostra o contrário.

Enquanto que a análise política dos votantes apresenta uma relação pró-contra de 2.2 versus 3.4, a análise sociológica da sociedade tem uma relação de 2.2 versus 7.4 muito mais desfavorável pois o dissenso é 217% superior ao consenso (217% de 3.4=7.4) .

Numa população de 9.6 milhões, estes 7.4 milhões de não-mobilizados, incluindo não-votos (talvez com não-adesões passivas) e contra-adesões partidárias (normalmente activas), significa que uma votação destinada a obter consensos, na prática criou um dissensos três vezes superior. 
Em resumo, a actividade democrática teve uma consequência contrária à sua essência e objectivo. Esta é a consequência directa do bug.

Este bug não é um problema dos eleitores, saliente-se a baixa percentagem de brancos e nulos demonstrando que os portugueses sabem votar e sabem escolher, nem sequer das propostas pois cada partido apresenta o que sabe, o que pode e o que quer (e assim deve ser), a questão é que o sistema de escolha está disfuncional com os bugs nele imiscuídos (ver 2ª parte).

Realmente o bug não está nos cidadãos eleitores, está claramente nas propostas apresentadas que não criam adesão. Porém, as propostas apresentadas têm todo o direito de existir como os seus proponentes as desejam, portanto, o mecanismo de escolha é que está armadilhado.

Em síntese numa linguagem comercial, o problema não é de quem "compra" (eleitor) nem de quem "vende"(partidos) é do "mercado" (mecanismo eleitoral) cujo funcionamento é defeituoso (tem bugs) e não deixa as escolhas funcionar livremente e criar propostas adaptadas.

Na prática, percebe-se a lógica da "técnica dos boys". Realmente, na situação de "esquizofrenia social" de 2.2 milhões versus 7.4 milhões, a tarefa exigida de conseguir motivar e energizar o projecto "ganhador" apresenta poucas probabilidades de sucesso.

A solução  da "técnica dos boys", isto é, de entregar o controlo e o enquadramento da gestão ao restrito grupo dos motivados, acaba por aumentar a "esquizofrenia social" e aumentar a precariedade de evolução positiva.

Continuação...

... No 10º post, a 2ª parte de "Nos indecisos está o futuro", analisa-se bugzinho que se esconde dentro do bug "só votas SIM" e também possíveis formas de resolver os dois. No fim, inclui-se um pequeno movie clip (4m) sobre uma solução.
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Indice do Blog
(com links para os posts já publicados)

No princípio era o caos
A viragem da civilização 
Fugindo da estupidez organizacional
A evolução aos "éssses 

Temporada 2 - Soluções?
Não guiar pelo espelho retrovisor

Morreu o consensus, viva o dissensus

A técnica do Jazz e o dissensus
E assim, co-labora ou morre

E por fim, a democracia da cumplicidade 
Aqui no futuro?

O 1º sonho

Video resumo: Nova Democracia